Um ano depois de ser atingida por um dos tornados mais devastadores já registrados no Paraná, Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Estado, ainda convive com as marcas da destruição. O fenômeno, ocorrido em 7 de novembro de 2025 e classificado como F4, atingiu a cidade em poucos minutos, destruindo residências, estabelecimentos comerciais e prédios públicos. A tragédia deixou seis pessoas mortas e centenas de feridos.
Desde então, a reconstrução passou a fazer parte da rotina dos moradores. Algumas famílias já conseguiram voltar para suas casas, outras receberam novas moradias ou acompanham o andamento das obras. Ao mesmo tempo, espaços públicos e estruturas importantes do município ainda dependem de investimentos e de etapas para que a cidade recupere completamente sua infraestrutura.
Entre as histórias de quem viveu aqueles momentos está a de Amanda, que estava grávida de apenas uma semana quando o tornado atingiu sua residência. A casa foi destruída e ela sofreu ferimentos, incluindo uma fratura em uma costela.
A lembrança daquele dia ainda provoca emoção e medo.
"Foi muito desesperador. Porque você olhar para a tua casa e você não ter mais nada, e você já saber que está carregando uma vida ali que estava no início ainda, mas o sentimento de você ter aquela perda de novo foi muito grande", relatou.
Hoje, Amanda segura nos braços a filha que ainda estava na barriga quando o tornado passou. Apesar de o medo continuar presente durante períodos de instabilidade climática, a criança representa um símbolo de esperança e de recomeço para a família.
"Agora a gente tem mais uma vida para cuidar também", destacou.
Depois dos primeiros dias de atendimento às vítimas, a reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu passou a mobilizar os governos municipal, estadual e federal, além de instituições e voluntários de diferentes regiões do país.
Na área habitacional, uma das primeiras medidas foi a criação do Cartão Reconstrução, destinado às famílias cujas residências sofreram danos parciais. Cerca de 1.250 imóveis foram contemplados com auxílio de até R$ 50 mil. Segundo a administração municipal, aproximadamente 90% dessas famílias já concluíram os reparos e conseguiram retornar para suas casas. O investimento do Governo do Paraná nessa iniciativa foi de aproximadamente R$ 45 milhões.
Para as famílias que perderam completamente suas residências, o processo exigiu mudanças no planejamento inicial. Uma proposta que previa a construção de 320 casas, com investimento estimado em R$ 44 milhões, precisou ser revista depois que moradores não aceitaram o modelo habitacional apresentado.
O prefeito Sezar Augusto Bovino explicou que a solução passou a envolver diferentes programas e instituições para viabilizar a construção das moradias.
Por meio da Cohapar, 80 casas estão em construção, com investimento superior a R$ 10 milhões. Também existem unidades habitacionais em andamento por meio da Cáritas, do programa Minha Casa, Minha Vida e da organização União BR.
Somando os diferentes programas, a administração municipal informou que aproximadamente 60 moradias já foram entregues e outras 150 a 160 estão em construção. Os números consideram diferentes etapas e iniciativas que integram o processo de reconstrução habitacional.
Além das residências, a recuperação dos prédios públicos também representa uma etapa importante para a retomada da normalidade no município.
O prédio da Prefeitura voltou a receber setores da administração municipal, incluindo o gabinete do prefeito e a assessoria de comunicação. Na área da educação, o CMEI Dona Laura retomou as atividades em 2 de fevereiro, devolvendo às famílias um importante espaço de atendimento às crianças.
Outra obra aguardada pela comunidade é a reconstrução do SERB, que prevê investimento de aproximadamente R$ 11,9 milhões. Os trabalhos já ultrapassaram 30% de execução, mas a conclusão deverá levar cerca de um ano.
Enquanto a estrutura não fica pronta, estudantes do município precisam se deslocar até Laranjeiras do Sul para frequentar as aulas, com transporte organizado em diferentes horários.
Um ano após a passagem do tornado, Rio Bonito do Iguaçu apresenta avanços importantes, mas ainda enfrenta desafios para recuperar tudo o que foi destruído.
A reconstrução das moradias, a recuperação dos espaços públicos e a retomada dos serviços essenciais demonstram o esforço coletivo para devolver à população as condições de vida que foram interrompidas pela tragédia.
Neste sábado, 7 de novembro, data que marca um ano do desastre, o município realiza um memorial em homenagem às vítimas e à história de uma comunidade que precisou encontrar forças para recomeçar.
Entre as perdas, as lembranças e as obras que ainda continuam, Rio Bonito do Iguaçu segue reconstruindo não apenas suas estruturas físicas, mas também a esperança de seus moradores.
Redação Guia São Miguel com informações da Catve.com
Foto: Ari Dias/AEN
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