Polícia Federal deflagra Operação Lastro Oculto e bloqueia mais de R$ 35 milhões em bens de investigados
02/07/2026 Foz do Iguaçu
Ação da Polícia Federal mira organização suspeita de lavagem de dinheiro, contrabando e esquema milionário ligado à entrada irregular de mercadorias vindas do Paraguai

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (02) a Operação Lastro Oculto, uma grande ação voltada ao combate à lavagem de dinheiro praticada por uma organização especializada na entrada irregular de mercadorias do Paraguai para o Brasil. A operação ocorreu em Foz do Iguaçu e resultou no bloqueio de ativos financeiros e no sequestro de bens avaliados em mais de R$ 35 milhões.

Durante a ofensiva, os agentes federais cumpriram 11 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão preventiva, todos expedidos para alvos localizados em Foz do Iguaçu. Além das medidas judiciais, a Justiça autorizou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de patrimônios vinculados aos investigados.

As investigações tiveram início a partir de materiais apreendidos durante a Operação Janus, conduzida anteriormente pela Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Na ocasião, as apurações focavam um esquema de câmbio ilegal. Após análise detalhada dos dados extraídos do celular de um suspeito apontado como doleiro, os investigadores identificaram uma complexa estrutura criminosa voltada ao transporte e internalização clandestina de mercadorias provenientes do Paraguai.

Segundo a investigação, o grupo operava prestando serviços tanto para clientes brasileiros quanto para comerciantes de Ciudad del Este, atuando de forma organizada em diversas etapas do esquema ilegal. Entre as atividades identificadas estão armazenamento de mercadorias, carregamento, transporte terrestre e fluvial, preparação de veículos, manutenção de portos clandestinos, depósitos irregulares, além do gerenciamento financeiro e pagamentos paralelos ligados às operações.

A Polícia Federal também identificou fortes indícios de ocultação e dissimulação do patrimônio obtido por meio das atividades criminosas. De acordo com os investigadores, os suspeitos teriam investido os recursos ilícitos na aquisição de bens móveis e imóveis em Foz do Iguaçu, na criação de holdings empresariais e até mesmo na construção de um hotel no município, numa tentativa de dar aparência legal ao patrimônio acumulado.

Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, descaminho e contrabando, cujas penas somadas podem resultar em longos períodos de prisão.

O nome da operação, Lastro Oculto, faz referência justamente à ausência de origem lícita aparente para o patrimônio milionário identificado pelas autoridades, apontando para um sofisticado esquema de ocultação financeira que agora passa a ser alvo direto das investigações federais.

Redação Guia São Miguel

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