Caça às figurinhas da Copa de 2026 provoca furtos e prejuízos em supermercados de todo o Brasil
12/06/2026 Brasil
Promoção entre Coca-Cola e Panini gera onda de vandalismo em estabelecimentos; redes varejistas reforçam segurança após aumento nas perdas

Uma promoção envolvendo a The Coca-Cola Company e a Panini Group, criada para divulgar figurinhas exclusivas da Copa do Mundo de 2026, acabou gerando uma série de prejuízos para supermercados em diversas regiões do Brasil. O motivo é a crescente onda de furtos e vandalismo praticados por colecionadores que têm retirado os rótulos de garrafas diretamente das prateleiras para obter os cromos promocionais.

A campanha distribui 14 figurinhas exclusivas estampadas no verso dos rótulos das embalagens de refrigerantes nas versões de 600 ml e 2,5 litros. Entre os jogadores presentes na coleção estão nomes como Lamine Yamal, Harry Kane e Gabriel Magalhães. A alta procura transformou as gôndolas dos supermercados em alvo de pessoas que arrancam os rótulos e deixam dezenas de produtos danificados nas prateleiras.

Segundo comerciantes, o maior prejuízo não está apenas na retirada da figurinha, mas principalmente na inutilização do produto. Sem o rótulo, a embalagem perde o código de barras necessário para o registro no caixa, além das informações obrigatórias sobre validade, lote e composição do produto.

A ausência dessas informações representa uma violação às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e também do Código de Defesa do Consumidor, tornando impossível a comercialização das unidades afetadas.

Diante da situação, a Coca-Cola assumiu a responsabilidade pelos prejuízos gerados pela campanha promocional e iniciou o ressarcimento integral aos varejistas, além da substituição dos lotes danificados. Apesar disso, supermercadistas relatam custos extras com logística, separação de produtos avariados e aumento no tempo de operação das equipes.

Para tentar conter os prejuízos, grandes redes varejistas como Carrefour, Assaí Atacadista, Sondas Supermercados e Oxxo começaram a adotar medidas emergenciais de segurança.

Entre as ações estão a retirada das garrafas promocionais das prateleiras de autoatendimento, transferência dos produtos para balcões próximos aos caixas e até a utilização de fitas adesivas sobre os rótulos para dificultar a remoção das figurinhas. Algumas unidades também deixaram de receber lotes promocionais devido ao histórico recorrente de furtos.

Especialistas alertam que a prática é considerada crime de furto, independentemente de o alvo ser apenas o item promocional. Conforme prevê o artigo 155 do Código Penal Brasileiro, o crime pode resultar em pena de até quatro anos de reclusão, além de aplicação de multa.

Redação Guia São Miguel da Crusoé
Imagem ilustrativa

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