CEO da Latam alerta que fim da escala 6x1 pode afetar voos internacionais no Brasil
28/05/2026 Brasil
Jerome Cadier afirmou que proposta pode comprometer operações aéreas devido às jornadas específicas de pilotos e tripulações

O CEO da Latam no Brasil, Jerome Cadier, afirmou que o projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 poderá comprometer, e até inviabilizar, voos internacionais operados no país. A declaração foi feita durante a teleconferência de apresentação dos resultados da companhia aérea.

Segundo o executivo, caso a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas seja aprovada sem ajustes, o modelo operacional do setor aéreo poderá ser diretamente impactado, especialmente em relação aos aeronautas e tripulações, que frequentemente realizam jornadas superiores a oito horas diárias em voos internacionais.

Além da redução da carga horária, o projeto também prevê a adoção da escala 5x2, garantindo dois dias consecutivos de descanso aos trabalhadores, sem redução salarial.

Apesar da preocupação demonstrada, Cadier afirmou acreditar que o Congresso Nacional deverá realizar adaptações no texto para determinadas categorias profissionais, incluindo aeronautas e demais trabalhadores do setor aéreo.

Representantes de diferentes setores da economia também têm demonstrado preocupação com os possíveis impactos financeiros da proposta. Entidades ligadas ao setor produtivo defendem medidas compensatórias, como novas regras de desoneração, para minimizar os custos gerados pelas mudanças na jornada de trabalho.

Atualmente, os aeronautas já seguem legislação específica que regulamenta jornada, tempo de voo e períodos de descanso de pilotos e comissários. A norma permite diferentes modelos de tripulação em operações internacionais, com jornadas variando entre 9 e 16 horas, dependendo do tipo de voo e da operação.

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos dias. No último domingo (3), o governo federal lançou uma campanha em defesa da proposta, afirmando que cerca de 37 milhões de brasileiros poderão ser beneficiados caso a medida seja aprovada.

Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta, decidiu acelerar a tramitação da PEC que trata do tema. Com a proximidade do calendário eleitoral, o parlamentar convocou sessões deliberativas ao longo da semana para agilizar a análise da proposta na comissão especial.

Enquanto isso, o setor produtivo acompanha com atenção os desdobramentos da discussão. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a aprovação da PEC poderá provocar aumento nos custos de produtos e serviços, além de impactos na inflação e no poder de compra da população.

Redação Guia São Miguel com informações da CNN
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

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